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Conheça mais sobre a obra O sapato que miava – PNLD 2023 – Objeto 3 

Conheça mais sobre a obra O sapato que miava – PNLD 2023 – Objeto 3 

Dona Velha tinha um gato “bem riscadinho”, chamado Deodato. Tinha também um velho par de sapatos, que só tirava para descansar. Era quando, bem de mansinho, Deodato entrava em um dos sapatos para dormir. Um dia, Dona Velha calçou seus sapatos sem perceber que seu gato ainda dormia lá dentro e, a cada passo que dava, Deodato, espremido, miava. 

Confira as dicas do nosso editor Bruno Salerno Rodrigues sobre o livro O sapato que miava, de Sylvia Orthof e, entenda quais são os motivos para adotar a obra no PNLD 2023, Objeto 3. Um universo de oportunidades em sala de aula se abrirá para os estudantes por meio dessa leitura. 

Conte um pouco sobre a obra e a relação dela com os temas da atualidade. 

A obra O sapato que miava, de Sylvia Orthof, conta a história de uma senhora conhecida como Dona Velha, que vive uma aventura com seu animal de estimação, o gato Deodato. Deodato altera a rotina de Dona Velha ao entrar em um de seus sapatos, dormir nele e gerar uma grande confusão. Felizmente, essa delicada situação se torna uma peripécia retratada de forma bem-humorada, proporcionando uma alteração significativa no destino de Dona Velha e do gato Deodato. 
A obra tematiza as relações sociais do ponto de vista etário, com uma boa pitada de humor e aventura. A vida social dos idosos é apresentada a partir de uma perspectiva positiva: eles são retratados como pessoas experientes, com domínio sobre a própria vida e suscetíveis a acontecimentos que não se restringem à faixa etária e subvertem o estereótipo de pessoas dependentes, frequentemente associado aos idosos.

Quais são os pontos fortes da leitura da obra para o professor e para os estudantes?

A história de O sapato que miava é uma oportunidade para introduzir os estudantes num universo de conhecimentos sobre a compreensão dos significados das diversas fases da vida, perfazendo um recorte específico da nossa sociedade. É importante valorizar as pessoas mais velhas como parte da nossa cultura e como fonte viva de conhecimento. 
O texto é uma prosa extremamente poética, repleto de sonoridades ricas geradas por rimas, onomatopeias e repetições de sons e palavras. Essas características textuais potencializam a fruição da leitura. 
A leitura, em seu sentido amplo, considera o texto verbal e não verbal. Assim, O sapato que miava possibilita expandir a leitura por meio da análise das ilustrações produzidas por Ivan Zigg, que constituem uma narrativa visual própria: há uma história contada pelas imagens que é complementar ao texto escrito e fornece recursos para o leitor ampliar sua compreensão da obra. Repletas de formas, cores e figuras em diversos planos, as ilustrações contribuem para uma leitura ainda mais significativa. 

Como a obra pode colaborar na formação leitora dos estudantes? O que você diria ao professor de escola pública para fomentar essa formação, na escola e fora dela?

A obra é indicada para ser utilizada com grupos de 1o, 2o e 3o anos do Ensino Fundamental, por ter em sua estrutura características textuais que possibilitam o desenvolvimento de atividades de alfabetização, leitura dialogada e a introdução ao mundo literário de forma lúdica e prazerosa.  
A prosa poética de O sapato que miava, mencionada na questão 2, contém características textuais importantes para o desenvolvimento de práticas fundamentais da alfabetização. Essas práticas também são incentivadas pelo convite do livro ao leitor para que observe diferentes situações do desenvolvimento da linguagem oral e escrita. Ouvir histórias lidas por outra pessoa, recontar histórias, criar um final diferente para o texto e brincar com as rimas são estratégias válidas para promover a aproximação inicial do estudante com a literatura. 

Professor, para fomentar a formação leitora dos estudantes é importante atuar como mediador da leitura, desde a escolha da obra a ser lida, que deve ter qualidade literária para ser envolvente e estimulante para a criança, até as estratégias adotadas na formação crítica e progressivamente autônoma do estudante como leitor fluente. 
A leitura literária é uma atividade social e, em muitos casos, coletiva. Ao ler um mesmo livro, compartilhamos impressões e opiniões acerca dos diversos temas abordados. Na escola, como mediadores de leitura, os professores têm a responsabilidade de ampliar essas discussões, conduzindo os estudantes não só a entrar em camadas mais profundas de interpretação como também a habituar-se a ouvir diferentes pontos de vista e compreendê-los. 
É necessário lembrar que toda boa experiência passa pelo afeto. A leitura nos aproxima do outro e nos ajuda a elaborar novos significados, construir sentidos e compreender o mundo. Quando o mediador da leitura é afetado pelo texto, transcende a leitura e passa a cumprir um papel importante para a formação do leitor: passa a construir um espaço de diálogo entre a história e a criança e, consequentemente, entre a criança e o mundo. 
Outra função do mediador é deixar o leitor à vontade para observar e explorar as imagens, respeitando o tempo de que ele necessita para o exercício de olhar, bem como criando um espaço propício para a aquisição e a socialização de saberes. É preciso permitir ao estudante fazer questionamentos à própria maneira, tirando as dúvidas dele e deixando-o expor as interpretações pessoais diante do que vê, pois o conhecimento não é estagnado e absoluto. 

Veja outras informações, aproveite a degustação da obra e baixe também o Manual Digital do Professor: pnld.ftd.com.br

Sobre o editor: 

Bruno Salerno Rodrigues estudou Filosofia, graduou-se em Comunicação Social na USP e fez o curso de Regeneração Ecológica Gaia Education. É autor dos roteiros em quadrinhos de Hamlet (2011) e A tempestade (2013), adaptações de William Shakespeare. Como editor, trabalhou no Estúdio Sabiá, na Editora Capital Aberto e nas Edições Sesc. Hoje, edita literatura infantil e juvenil na FTD. É membro titular do Conselho de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz (Cades) do Butantã, em São Paulo. 

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