As mudanças climáticas deixaram de ser um tema distante para se tornarem parte da realidade de milhões de estudantes brasileiros. Enchentes, secas prolongadas, ondas de calor e queimadas afetam comunidades inteiras e, consequentemente, a rotina escolar.
Em 2024, quase 250 milhões de estudantes em 85 países tiveram suas aulas interrompidas por eventos climáticos extremos. Somente no Brasil, mais de 1,17 milhão de crianças e adolescentes tiveram os estudos afetados por enchentes, secas e outros desastres ambientais.
Diante desse cenário, a Educação Climática ganha protagonismo. Mais do que ensinar conceitos científicos, ela busca desenvolver nos estudantes conhecimentos, habilidades e atitudes para compreender os desafios ambientais e participar da construção de soluções sustentáveis.
A própria UNESCO destaca que a Educação sobre mudanças climáticas deve promover não apenas conhecimento, mas também competências socioemocionais e capacidade de ação diante dos desafios ambientais.
Mas como trabalhar esse tema de forma prática e significativa? Confira algumas atividades que podem ser adaptadas para diferentes etapas da Educação Básica.
O que é Educação Climática?
A Educação Climática é um conjunto de práticas pedagógicas que ajudam os estudantes a compreender as causas e consequências das mudanças climáticas, além de refletir sobre possíveis soluções.
Ela dialoga com diferentes componentes curriculares e competências gerais da BNCC, especialmente aquelas relacionadas ao pensamento científico, à responsabilidade socioambiental, à argumentação e à cidadania.
A relevância do tema tem crescido mundialmente. A UNESCO estabeleceu a meta de que 90% dos países incluam as mudanças climáticas em seus currículos até 2030.
Por que abordar mudanças climáticas na escola?
Os estudantes já convivem com os impactos da crise climática. Em 2024, o UNICEF alertou que eventos extremos interromperam a escolarização de milhões de crianças em todo o mundo. Além disso, as novas gerações estão mais expostas a ondas de calor, enchentes, fumaça de queimadas e insegurança hídrica do que seus avós estiveram.
Nesse contexto, a escola desempenha um papel fundamental ao:
- desenvolver pensamento crítico;
- combater a desinformação ambiental;
- estimular a participação cidadã;
- fortalecer a cultura da prevenção de riscos;
- promover hábitos sustentáveis.
1. Investigue o clima da sua cidade
Uma forma simples de iniciar o tema é partir da realidade local.
Peça aos estudantes que pesquisem:
- temperaturas médias dos últimos anos;
- registros de enchentes ou secas;
- períodos de estiagem;
- índices de chuva.
Os dados podem ser transformados em gráficos, mapas ou infográficos.
Possibilidades de integração
- Matemática: análise de dados;
- Geografia: clima e território;
- Ciências: fatores climáticos;
- Língua Portuguesa: produção de relatórios.
2. Diário das mudanças climáticas
Durante uma semana, os estudantes podem registrar:
- temperatura do dia;
- sensação térmica;
- qualidade do ar;
- quantidade de chuva;
- notícias relacionadas ao clima.
Ao final, a turma debate padrões observados e possíveis explicações científicas.
3. Caça às fake news ambientais
A desinformação também faz parte da crise climática.
Selecione manchetes reais e falsas sobre:
- aquecimento global;
- queimadas;
- eventos extremos;
- sustentabilidade.
Divida os estudantes em grupos e proponha uma investigação baseada em fontes confiáveis.
Além de trabalhar Educação Climática, a atividade fortalece a Educação Midiática e o pensamento crítico.
4. Mapeamento de riscos da comunidade
Os estudantes podem identificar áreas vulneráveis próximas à escola ou ao bairro:
- regiões sujeitas a enchentes;
- locais com descarte irregular de lixo;
- áreas com pouca arborização;
- pontos de ilhas de calor.
Depois, os grupos podem elaborar propostas de melhoria para apresentar à comunidade escolar ou ao poder público.
5. Simulação da COP do Clima
Transforme a sala em uma conferência internacional.
Cada grupo representa um país ou bloco econômico e precisa defender interesses relacionados a:
- preservação ambiental;
- desenvolvimento econômico;
- energia;
- redução de emissões.
A atividade desenvolve argumentação, negociação e compreensão dos desafios globais.
6. Projeto de arborização escolar
A Educação Climática ganha força quando gera ação concreta.
A turma pode:
- mapear áreas para plantio;
- pesquisar espécies nativas;
- calcular benefícios ambientais;
- acompanhar o crescimento das mudas.
Além de melhorar o ambiente escolar, a atividade aproxima teoria e prática.
7. Produção de podcasts sobre clima
Os estudantes podem criar episódios curtos respondendo perguntas como:
- O que é aquecimento global?
- Como as enchentes afetam a Educação?
- O que podemos fazer para reduzir impactos ambientais?
A proposta desenvolve comunicação, pesquisa e protagonismo juvenil.
8. Pegada ecológica da escola
Que tal investigar os hábitos da comunidade escolar?
Os estudantes podem levantar dados sobre:
- consumo de água;
- gasto de energia;
- geração de resíduos;
- uso de materiais descartáveis.
Depois, a turma pode elaborar um plano coletivo para reduzir impactos ambientais.
9. Estudo de casos reais
Utilize acontecimentos recentes para promover discussões.
As enchentes no Rio Grande do Sul, as secas históricas na Amazônia e as ondas de calor registradas nos últimos anos permitem trabalhar conceitos científicos de forma contextualizada.
Segundo dados do Clima Info 2025, mais de 740 mil estudantes gaúchos tiveram suas atividades escolares afetadas pelas enchentes de 2024, enquanto 436 mil estudantes amazônicos enfrentaram interrupções por causa da seca extrema.
10. Feira de soluções sustentáveis
Finalize o trabalho com um projeto interdisciplinar.
Os estudantes podem apresentar:
- protótipos de captação de água da chuva;
- hortas escolares;
- campanhas educativas;
- sistemas de compostagem;
- propostas para redução de resíduos.
O foco não deve estar apenas nos problemas, mas também nas possibilidades de transformação.
Educação Climática é Educação para o futuro
A crise climática já impacta o presente das crianças e adolescentes. Por isso, discutir mudanças do clima na escola não é apenas uma questão ambiental, mas também educacional, social e cidadã.
A boa notícia é que a Educação Climática não precisa ser uma disciplina isolada. Ela pode atravessar projetos, sequências didáticas e atividades interdisciplinares, conectando o currículo aos desafios reais vividos pelos estudantes.
Ao transformar dados, experiências locais e investigação científica em aprendizagem significativa, a escola contribui para formar cidadãos capazes de compreender o mundo e atuar na construção de um futuro mais sustentável.