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Desenvolvimento Profissional

Terça-feira 05 de Junho de 2018

O AMANHÃ DESDE HOJE

Antecipar tendências que afetam o comportamento das pessoas tem sido uma das plataformas que tenho estudado e aperfeiçoado. Como professora de universidades e atuando como palestrante, as perguntas mais frequentes são sobre a inovação na própria carreira e vida diante de tanta complexidade. Ou seja, algo como: o que devo aprender para ter um futuro legal? O que meu filho tem de ter para ser bem-sucedido?
Ressalva: o que é ser bem-sucedido? Culturalmente, o contexto que vivemos nesta cidade, neste bairro e neste ano pode ser diverso. Portanto, não há uma única resposta e o intuito é refletir a respeito de um crescimento profissional e de vida. Somos cada vez mais informados, conscientes de nossos direitos de consumidor e cidadãos, ganhando espaço e modificando todas as relações de consumo e convivência. 
Somos modernos e móveis, conectados e ativos, mas também ansiosos. Como se reinventar na vida profissional? E o que fazer com os filhos que demonstram comportamentos cada vez mais distintos das gerações passadas? Que habilidades precisaremos ter para não estagnarmos?
Sem a intenção de uma previsibilidade futurística, mas com base em estudos, leituras e pesquisas sobre comportamento, elenquei abaixo as 10 principais habilidades em que apostarei para minha vida pessoal e profissional e também para meus alunos, mentorados e clientes.
 
1. ADAPTE-SE MAIS RÁPIDO
Um relatório feito pela Universidade de Phoenix em 2015, nos EUA, aponta a necessidade cada vez maior de pensamento adaptativo e mais inovador. Sim, a inovação não é mais apenas uma palavra da moda e será crucial para aqueles que precisam se reinventar no mercado ou iniciar uma carreira profissional. Outro estudo do U.S. Department of Labor, de 2012, informa que 65% dos jovens estudantes trabalharão em empregos que ainda não foram inventados. Muitos dos empregos atuais não existiam na época da Revolução Industrial, certo? Estamos vivendo o início de uma nova revolução econômica, com mudanças cada vez mais rápidas e avanços progressivos da tecnologia. Alguns empregos desaparecerão e muitos outros surgirão e exigirão preparo e conhecimento dos jovens para enfrentar as profissões do futuro.
 
2. SAIBA COMO AUMENTAR A SUA CAPACIDADE DE RESILIÊNCIA
Ter a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar às mudanças mesmo em situações negativas. Ainda que essa competência seja obrigatória hoje, no futuro próximo teremos muitas adversidades, e será necessário conviver com fracassos recuperando-se com rapidez e equilíbrio.
 
3. APRENDA A INTERDISCIPLINARIDADE
Entender disciplinas diferentes. Engenharia com Biologia, Jornalismo e Medicina, Comunicação e Tecnologia, novos saberes e distintos serão importantes nas novas profissões que surgirão.
Será possível a interação entre disciplinas aparentemente distintas e uma maneira de complementar e/ou suplementar a vida pessoal e profissional que favorecerá a formação de um saber crítico-reflexivo. Para enfrentar o novo mundo e novos cenários será importante dialogar entre disciplinas, relacionando-as entre si para a compreensão da realidade.
 
4. GERENCIE A SUPERCARGA DE INFORMAÇÕES
Teremos de ser nossos próprios curadores de conteúdo, aprendendo a filtrar e separar o que vamos ler, ver, aprender, receber. A carga cognitiva do nosso cérebro terá de ter um tipo de filtro para aumentarmos nossa compreensão de tantos dados e informações
ao mesmo tempo.
 
5. APRENDA A LIDAR COM NOVAS MÍDIAS
O setor de comunicação está mudando. E muito. Não pense que por ser engenheiro ou médico isso não o afeta. Já viu seu filho ou amigos no Snapchat? Quantas vezes por dia usa o WhatsApp? Manda emojis? Estamos conectados e usando não só novos formatos de comunicar-se, mas também novas linguagens. A alfabetização em conteúdo e formas de gerar conteúdos serão importantes para pequenos, médios e grandes empresários.
 
6. DESENVOLVA INTELIGÊNCIA SOCIAL
Conecte-se com assertividade, relevância e empatia social. Todos terão menos tempo e receberão muita informação; assim, seja direto e se conecte com suas redes de interesse sendo acessível, expressando claramente sua opinião. Aprenda a ver uma situação por diversos ângulos; fica mais fácil entender as pessoas e seus sentimentos em diferentes momentos.
 
7. APRENDA A TRABALHAR EM CONTEXTOS CULTURAIS DIFERENTES
Seremos cada vez mais miscigenados no dia a dia – sejamos visitantes, imigrantes, viajantes. As distâncias culturais serão cada vez menores. A necessidade de uma cidade na Índia pode ser completamente diferente da nossa cidade de São Paulo. Mas há cidades na Índia que enfrentam as mesmas dificuldades que nós e isso poderá ser compartilhado e aprendido para melhoria de ambas. Entender contextos culturais ajudará a trabalhar melhor e mais feliz em qualquer local do planeta.
 
8. COLABORE VIRTUALMENTE
Aprenda a habilidade de trabalhar de forma produtiva no formato virtual: hangouts, Skype, Facetime, Google Drive e centenas de plataformas que auxiliam quem precisa gerar um projeto em comum, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância.
 
9. AUMENTE O FOCO
Para alavancar a sua vida profissional, torne-se uma pessoa mais produtiva e com mais foco. Nunca faltará oportunidade, trabalho e reconhecimento para alguém que produz bem e com foco. Assertividade é a palavra.
 
10. APRENDA O PODER DA SÍNTESE
Com tanta informação e conhecimento recebido, além de aprender a filtrar o que é bom e o que é ruim, teremos de sintetizar e traduzi-los de forma lógica e simples. Aliás, adote a palavra simplificação, ela será crucial perante a complexidade futura.

Terça-feira 05 de Junho de 2018

O QUE (E COMO) ENSINAR O PROFESSOR NA SALA AO LADO

Uma vez por mês, Dalson Alves de Lima Graça, professor e coordenador de Matemática no Colégio Albert Sabin, em São Paulo, assiste à aula de algum colega. Faz três anos um professor se põe na posição de aluno para depois contar o que viu e o que notou durante a aula. No início, algumas pessoas pensaram que a diretoria arquitetou um disfarce para a caça às bruxas. “Acharam que iam assistir às aulas porque queriam demitir gente”, diz Dalson. “Mas a intenção era o contrário: era qualificar os professores.” Após o professor se convencer de que não há tramoia, no entanto, há outro empecilho: como criticar sem magoar? O professor já vive sob a dura mira dos alunos. Ouvir críticas de outro professor pode fazê-lo se sentir minimizado. “Sabemos que eles dão o melhor de si, mas a instituição quer que deem aulas melhores. Daí cabe ao gestor dar um retorno sobre as aulas de uma forma produtiva tanto para quem está assistindo como para quem é assistido.”
Imagine se o professor de Geometria no 8º ano pode criticar a aula de Análise Combinatória no Ensino Médio? Pode sim. “Muitas vezes o professor não enxerga tudo que ocorre durante a aula”, diz Dalson. “Ele tem a visão limitada da lousa para trás.” Mas, para essa troca funcionar bem, ele deve estar aberto a críticas e deixar claro se a aula do dia será sobre aplicações, teoria ou resolução de problemas. Com isso em mente, o colega pode diferenciar uma aula mais dinâmica e agitada (a de problemas) de uma mais tradicional (a teórica) e então avaliar se o professor adotou uma boa estratégia naquele contexto. Dalson também acha importante o observador dar seu parecer o mais rápido possível, pois o passo seguinte é combinar as mudanças para a próxima aula, na qual o professor-observador pode avaliar se a mudança surtiu efeito.
Dalson conta que, nos Estados Unidos, os professores do projeto Math Circle têm um modelo muito interessante de assistência em seus cursos de Matemática. Em 2013, Dalson participou desse projeto, no qual professores dão cursos extracurriculares de Matemática. Lá os professores podem assistir aulas de duas formas: um professor ensina um grupo de 15 alunos, enquanto outro professor observa, ou um professor apresenta um problema de Matemática para a turma resolver, enquanto nove professores acompanham em silêncio a interação da classe. Neste caso, o silêncio é importante para deixar os alunos mais à vontade — pois que aluno ousaria levantar a mão numa sala com dez professores? Assim, quietinhos, os professores ouvem as hipóteses e as discussões dos alunos, anotam como reagem, classificam as dificuldades. “O mais bacana dessa experiência é o feedback. Quando a aula acaba, cada professor faz uma fotografia do que viu durante a aula.”
 
FORMIGA E CUPIM
 
Quando estava nos Estados Unidos, Dalson propôs o seguinte probleminha a uma turma de jovens:
Problema. Num tijolo maciço de superfícies lisas, uma formiga sente que há mel por perto. O tijolo mede 30 centímetros de comprimento por 12 de altura e 12 de largura. A formiga está no meio de uma face lateral do tijolo a um centímetro da face inferior do bloco, enquanto a gota de mel está no meio da face oposta à da formiga, mas a um centímetro da face superior. Qual o caminho mais curto para que ela chegue até o mel?
 
No início, o estudante acha o problema simples e óbvio: basta a formiga subir 11 centímetros até o topo do tijolo, andar em linha reta até a face onde está o mel e descer um centímetro até o destino: 1 + 30 + 11 = 42 centímetros. Mas logo desconfia duma solução melhor, talvez usando a face lateral do tijolo como atalho. Ele imagina a formiga fazendo várias rotas sobre o tijolo e sente a necessidade de pôr aquilo no papel. Pega um papel quadriculado para traçar uma figura perfeita, mas fica frustrado: listar e comparar os vários trajetos dará muito trabalho. Decide então acabar com o problema do problema: tirar uma dimensão da figura. Faz um desenho do tijolo como se fosse uma caixa de papelão estatelada no chão. Ao vê-lo planificado, reconhece uma das noções mais básicas da geometria plana: a menor distância entre dois pontos é uma reta. Feito isso, usa o teorema de Pitágoras para encontrar o comprimento de FM.
 
Após a aula, Dalson ouviu a opinião e as sugestões tanto dos professores como dos alunos. Leu vários bilhetes de alunos surpresos com o jeito de usar o teorema de Pitágoras. Dalson também se lembra de uma aluna que teve dificuldade em interpretar a questão, pois achava que podia traçar a linha de F até M por dentro do tijolo, como se a formiga fosse um cupim. “Muitas vezes quando a gente propõe o problema, pensamos: é claro que o aluno vai perceber que a formiga caminha pela face.” Dalson então improvisou um jeito de explicar o problema graças ao comentário do professor que assistia à aula.
 
Professores acabam se acostumando a ensinar os mesmos conceitos todo ano e isso pode gerar dois problemas. Com o tempo o professor se acostuma a ver esses conceitos como fragmentos sem conexão entre si. E quando o aluno tem dificuldade com algum assunto, o professor não sabe em que etapa do aprendizado surgiu o problema. Dalson dá aulas para a turma do 9º ano e para o último ano do Ensino Médio, além de coordenar o departamento de Matemática. Para ele, o projeto de assistência também ajuda o professor-observador a ter uma visão mais panorâmica do conteúdo ao longo das séries e de como os alunos estão aprendendo durante essas etapas. “Aqui no colégio já consegui identificar uma dificuldade que surge no 7º ano. Em casos assim, preciso pedir ao professor para reforçar o assunto naquele ano ou mudar a abordagem da aula”, diz Dalson. “Assim evito uma bola de neve que ficaria enorme lá no Ensino Médio.”

Terça-feira 05 de Junho de 2018

O VALOR DOS SECRETÁRIOS

Coração da escola. Termômetro. Cartão de visita. Elo família-escola. Não faltam metáforas para descrever a importância da secretaria – e dos secretários – dentro da estrutura escolar. Responsáveis por toda documentação e arquivamento de informações, os secretários também são a interface entre a escola e os pais de alunos; são o braço direito de diretores em tudo que se refere à legislação educacional e, muitas vezes, fazem o papel de gestores de recursos humanos entre os professores. Após muito tempo “escondidos” entre a papelada da secretaria, nos últimos anos esses profissionais passaram a ser mais valorizados por governos e disputados no mercado de trabalho por escolas particulares de todos os portes. A capacitação dos secretários tem sido mais estimulada e a categoria ainda ganhou um curso técnico exclusivo para quem quer seguir carreira na área e se desenvolver profissionalmente.
 
“Atualmente há uma busca pela qualidade da gestão escolar. Antes os cursos eram voltados somente para o professor e para a atuação em sala de aula”, afirma Ana Cristina Canettieri, diretora do Centro Educacional Paulo Nathanael (CEPN). Vários fatores contribuíram para essa mudança no que diz respeito à capacitação dos secretários. O principal deles, de acordo com a educadora, foi a criação do curso técnico em secretaria escolar, em 2008. Descrito no Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos produzido pelo Ministério da Educação (MEC) dentro do eixo Desenvolvimento Educacional e Social, o programa de 1.200 horas abrange os mais diversos tópicos, de informática e técnicas de atendimento ao público até planejamento e gestão educacional, passando por legislação e métodos de registro e controle acadêmico.
 
O grande leque de atribuições do secretário faz com que a sua atuação seja sentida em outros setores da escola. “A secretaria é um termômetro. Se ela está desorganizada, os reflexos serão sentidos tanto na hierarquia superior quanto na sala de aula. E mesmo quando a sala de aula não está ativa, o secretário está trabalhando”, diz Ana Cristina. Nas escolas públicas, ela observa, o secretário é ainda mais exigido. “O secretário precisa acompanhar a vida funcional dos professores. Muitas vezes eles fazem o papel de gestor de recursos humanos, mas sem ter a qualificação para isso”, afirma.
 
Mudança tecnológica
A qualificação envolve também a atualização de conhecimento em relação a ferramentas e sistemas utilizados no dia a dia da secretaria. Nas últimas duas décadas, saber utilizar computadores e internet passou a fazer parte das atribuições básicas de um profissional da área. A coordenadora do curso técnico em secretaria escolar do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Clara Agostini Oliveira, observa que essa mudança geracional é um tema bastante debatido nas aulas do curso de formação. “Eu me lembro perfeitamente de vivenciar nas escolas a inserção de equipamentos que permitiram que os históricos escolares fossem todos informatizados. À época, cerca de 25 anos atrás, eu encontrei secretários escolares que tinham resistência a essa nova tecnologia”, conta.

A resistência a mudanças e o estranhamento com as novas tecnologias exigem que os gestores e formadores saibam lidar tanto com os novos profissionais nas escolas quanto com aqueles mais antigos, que agora se vêem de volta à sala de aula para aprender sobre a profissão que já exercem há anos ou décadas. Em muitas redes públicas de ensino, o curso técnico passou a ser obrigatório para quem quer entrar na função ou para quem precisa evoluir na carreira. “No IFRJ, temos uma proposta de aproveitar a experiência desses profissionais mais antigos para agregar à formação daqueles que estão chegando. Existe um conhecimento do senso comum, da prática, da vivência, que não é menos importante que aquele conhecimento com viés acadêmico e científico. Não é menos importante, mas é diferente”, afirma Clara.

Um exemplo prático está em uma das principais atribuições do secretário: o arquivamento de históricos e documentos. No curso técnico, o aluno tem aulas de arquivística, a disciplina que estuda os princípios e técnicas dos arquivos. “Uma escola pode ter um arquivo muito bem organizado porque o secretário tem um senso de organização, mas eu posso ter acesso aos princípios teóricos que me orientam como um arquivo pode ser mais bem organizado”, explica a coordenadora do IFRJ, que oferece o curso no âmbito do programa Profuncionário, iniciativa federal para a formação de funcionários de escola.

Ana Cristina Canettieri também percebe que abordar o “senso comum” com que o trabalho dos secretários é feito é um dos desafios da formação. “Há certos cacoetes que se mantêm: o secretário faz de um jeito porque o anterior fazia assim. Mas as decisões devem ser baseadas na legislação, não no que o secretário anterior fazia”, ressalta. Ela também percebe que, com a modernização dos sistemas de administração e a informatização, o perfil dos secretários também começa a mudar e a se tornar mais variado: se antes era uma ocupação quase que exclusivamente feminina, a carreira em secretaria escolar agora tem atraído mais homens. A formação também garante uma compreensão maior da própria importância do secretário dentro da estrutura escolar. “Os alunos (do curso técnico) falam muito de como se sentem mais seguros para atender os pais e professores. Agora eles entendem toda a responsabilidade da função que exercem”, afirma a diretora.
 
Preferência
Com a percepção crescente da importância da capacitação para exercer um cargo vital dentro da instituição de ensino, estados e municípios têm procurado dar preferência a profissionais com qualificação específica nos concursos públicos, além de estimular a formação continuada. O governo do Distrito Federal é um desses que exigem o diploma de técnico em secretaria escolar para preencher as vagas de secretários. “A sociedade vem cobrando cada vez mais a especialização das funções públicas, principalmente na escola. Quanto melhor a capacitação, melhor será o serviço prestado para a sociedade”, afirma o coordenador regional de ensino de Ceilândia, Marcos Antônio de Sousa. Cerca de 100 mil alunos estão matriculados nas escolas de Ceilândia, de um total de 480 mil no DF.
 
“O secretário é o cartão de visita da escola. É com ele que os alunos e os pais vão ter o primeiro contato quando chegam a uma escola”, aponta o coordenador. Segundo ele, a especialização permite que os profissionais saibam utilizar as ferramentas e sistemas tecnológicos de maneira mais eficiente, reconheçam a importância de seu trabalho e, consequentemente, evoluir profissionalmente. “O secretário é o responsável por toda a vida escolar do aluno. Imagine que daqui a dez ou quinze anos você precise do seu histórico escolar do ensino fundamental. Ele precisa estar bem arquivado”, exemplifica.

Os cursos de qualificação oferecidos pelo Ministério da Educação e pelo governo do DF permitem que o assistente possa subir na carreira, diz Sousa, mas, para ocupar uma vaga de chefe de secretaria, o profissional deve aliar a formação à experiência no dia a dia da escola. E o candidato também precisa estar preparado para trabalhar intensamente. “São pessoas muito dedicadas à educação. O cargo de chefe de secretaria exige muitas vezes ultrapassar o horário de trabalho; são pessoas que estão lá porque acreditam no serviço e querem prestá-lo da melhor forma à sociedade”, afirma o profissional.

Michele Alves de Moraes é chefe de secretaria no Centro de Ensino Médio 3, de Ceilândia, uma das maiores escolas do Distrito Federal, com cerca de 3,2 mil alunos. Aos 36 anos, é graduada em Biologia e era professora da disciplina, mas em 2013 passou no concurso para o cargo.
Michele conta que alguns fatores contribuíram para fazer o curso técnico na área e tentar seguir a carreira: a vontade de continuar no ambiente escolar, o gosto pela área administrativa e a afinidade com a área financeira.

Para Michele, a função exige um profissional dinâmico e que saiba driblar as dificuldades características da área pública. “Temos algumas carências de equipamentos, como computador, impressora, internet. É preciso saber improvisar. Muitas vezes temos de auxiliar os professores em questões básicas de informática”, conta. Em sua opinião, somente a experiência prática é capaz de desenvolver as habilidades necessárias para lidar com situações do tipo. “No curso você aprende a parte teórica, mas o trabalho mesmo você aprende na prática, por isso a vivência do estágio é fundamental”, reforça. Hoje ela trabalha com mais seis pessoas na secretaria, mas, pela legislação, seriam necessárias mais três na equipe.
 
Diploma valorizado
Mesmo em redes em que o curso técnico não é obrigatório, um diploma significa evolução na carreira, como é o caso do município de São Paulo. A secretária Nilce Ruiz Romero, 63 anos, é funcionária de uma escola da rede paulistana há 13 anos, onde entrou como auxiliar. “Eu busquei o curso para me aprimorar e também porque precisava dos pontos para evoluir na carreira”, relata. Na opinião dela, a função está sendo mais valorizada e, no caso da escola onde trabalha, no bairro de Cangaíba, zona leste da cidade, o apoio da direção é fundamental. “O reconhecimento é difícil no serviço público; o cargo é muito estressante, tem muitas urgências e cobranças, mas sinto muito prazer no que faço”, afirma. Nilce diz que há problemas, claro, especialmente quando se trata de informatização e equipamentos. “Quando há mudança de sistema sempre dá dor de cabeça, e há uma tendência dos mais velhos de reclamar”, observa.
 
Nos colégios particulares, há uma preocupação crescente em capacitar também os funcionários – algumas redes pagam o curso técnico para os secretários mais antigos de casa, e os novos, que contam com um diploma do tipo no currículo, têm vantagem nos processos seletivos. Foi esse o caso de Jailton Miguel da Silva, 24 anos, que recentemente foi contratado por uma escola privada da zona leste de São Paulo. Segundo ele, sua grande vantagem foi ter um diploma de técnico em secretaria escolar no currículo, além de experiência prévia na área. “Eu trabalho em secretaria escolar desde os 16 anos, mas completei o curso no começo deste ano. As escolas de grande porte hoje levam muito em conta a formação para contratar”, diz.
 
De acordo com Jailton, o curso foi fundamental para dar apoio teórico àquilo que ele já fazia. “Adquiri muitos conteúdos que não conhecia, principalmente em relação a leis e nomenclaturas. A área está passando por muitas transformações, com novos pareceres, novos processos de documentação”, conta. Para continuar crescendo na carreira – que é o que ele pretende fazer – o caminho é um só: se atualizar.
 
Profuncionário
Para os secretários de escolas públicas, o principal meio de formação técnica é pelo programa Profuncionário, do Governo Federal. Desde 2008, as quatro habilitações do programa (secretaria, multimeios, alimentação e infraestrutura) são oferecidas pelos Institutos Federais e em modalidade a distância. “A intenção do Profuncionário é que a partir da habilitação desses profissionais haja um movimento de valorização dos funcionários”, diz Clara Agostini Oliveira, coordenadora do curso técnico em secretaria escolar do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). O curso do IFRJ é voltado preferencialmente para funcionários em atividade, e conta com polos em toda a região centro-sul do estado. “Esses profissionais têm sua função gestora, mas também são educadores”, observa.

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